Regulação e método

Quanto importam realmente os custos dos fundos

A questão não é pagar pouco: é que o que paga seja justificado pelo que recebe — e as regras europeias obrigam o produtor a demonstrá-lo antes de vender.

Value for money não quer dizer que um produto é barato. Quer dizer que o que paga é justificado pelo que recebe em troca. Um fundo caro pode valer o seu preço; um barato pode não valer. A pergunta não é quanto custa, mas se esse custo é proporcionado.

As regras europeias não fixam um teto aos custos. Fazem algo diferente e mais exigente: obrigam quem constrói um produto de investimento a demonstrar, por escrito e antes de o colocar à venda, que o preço é proporcionado ao valor oferecido. Um produto que não passe na verificação não deveria ser aprovado para distribuição.

A regra tem, porém, um limite, e convém conhecê-lo antes de confiar nela. A comparação faz-se entre produtos semelhantes, dentro do mesmo grupo. Um fundo que custa o mesmo que os concorrentes passa na verificação mesmo quando toda a categoria custa demais: a proporcionalidade é medida face à média do grupo, não face ao que o mesmo resultado custaria noutro lado.

Por isso a média não descreve a sua carteira. A única comparação que produz um número sobre o qual decidir é a do instrumento concreto: quanto custa o fundo que tem, e quanto custa obter a mesma exposição com um ETF equivalente.

O efeito dos custos multiplica-se no tempo

Uma diferença de comissões que hoje parece pequena torna-se enorme em horizontes longos, porque os custos compõem exatamente como os rendimentos — mas contra si.

Exemplo ilustrativo: sobre um capital de €100.000, com um rendimento bruto hipotético de 4% ao ano durante 30 anos, um fundo que custa 1,60% ao ano chega a €203.704; um ETF equivalente a 0,15% chega a €310.595. A diferença é €106.892, equivalente a 107% do capital inicial. Líquido do imposto de 26% sobre a mais-valia restam €79.100. Mesmo mercado, mesmo risco: só muda o custo.

Projeção hipotética a título ilustrativo; os rendimentos reais variam e não são garantidos.

Como funciona a verificação

A obrigação nasce da Retail Investment Strategy, sobre a qual o Parlamento e o Conselho chegaram a acordo político em 18 de dezembro de 2025. Não introduz um preço máximo: introduz um ónus da prova para quem constrói o produto.

O mecanismo é duplo: avaliações por grupos de produtos homogéneos (peer group) para os instrumentos MiFID como os fundos, e benchmarks de supervisão para os produtos de investimento com base em seguros (IBIP). As empresas terão de identificar e quantificar todos os custos suportados pelo investidor e verificar se são justificados e proporcionados.

  • Todos os custos devem ser explicitados e quantificados.
  • O custo deve ser comparado com um benchmark de referência.

Como a Value for Money aplica a diretiva, hoje

Não é preciso esperar pela transposição completa para raciocinar como a diretiva exige. A Value for Money faz exatamente isto, sobre a sua carteira real:

  1. 1Quantifica em euros quanto lhe custa por ano cada fundo que detém, a partir do TER declarado.
  2. 2Compara cada fundo com o ETF equivalente, o benchmark natural da relação qualidade-preço.
  3. 3Emite sobre cada fundo um juízo claro.
  4. 4É independente: sem retrocessões de gestoras, bancos ou seguradoras, sem conflitos de interesse.

Por outras palavras, aplicamos a lógica da diretiva europeia ao seu caso concreto: com dados e sem incentivos de terceiros.

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